Interview: Ceres Torres – Bicho Papel

O trabalho da Ceres não só é único, como é uma obra de arte. E olhando as fotos que ilustram esta entrevista, você vai ver que eu não estou exagerando. A mistura perfeita de papel e tecido deixa as encadernações maravilhosas. Confira o que a Ceres tem a dizer sobre o processo de trabalho com crafts e a sua rotina de artesã.

-Nome: Ceres Torres

-Profissão:Professora

-Lugar onde mora: Praia do Laranjal – Pelotas/RS

-Blog: http://Bichopapel.blogspot.com

-Flickr: http://www.flickr.com/photos/roja

-Desde quando sua paixão por craft existe?

Desde sempre. Quando jovem, experimentei muitas coisas – cerâmica, trabalho com couro, tricô,… minha mãe pintava porcelana e minha avó fazia maravilhas em crochê. O ambiente em casa era propício para o artesanato.

-Quantas horas por semana você dedica a projetos craft?

Trabalho todas as tardes. Quando estou com projetos para entregar, utilizo mais algum tempo pela manhã ou noite.

-Você tem um craft room ou improvisa pela casa?

Quando me mudei para a praia, fiz uma reforma na casa e projetei um local de trabalho no piso superior. Tenho um excelente craft room ainda em fase de ajustes para permitir melhor aproveitamento do espaço e funcionalidade.

-Com quais materiais você prefere trabalhar?

Eu trabalho com encadernação. Papéis e tecidos são minha paixão.

-Qual projeto craft deu mais orgulho de fazer?

Todos os projetos são motivo de muito investimento criativo. Até agora, o que me deu mais orgulho foi o sketchbook para o professor e artista plástico Cláudio Gil. Ele usou o livrinho, colocou-o em uma exposição e no seu portfólio!

-Qual tipo de craft supply você mais compra?

Tecido. As capas dos livros são forradas em tecido e, como são relativamente pequenas, não preciso muita quantidade. Utilizo tecido 100% algodão e compro muito em lojas que comercializam produtos para patchwork. Tenho também utilizado a internet para acesso a tecidos importados.

-Qual foi sua mais recente aquisição de produtos handmade?

Duas necéssaires da Ana Sinhana. Uma para presente e outra para mim.

-Quando sai de férias ou faz alguma viagem, você procura por armarinhos e lojas de suprimentos?

Sempre que tenho tempo disponível, procuro. Gosto de botões, galões, fitas… As troquinhas que fazemos nos grupos do Flickr permitem experimentações e aprendizagens de outros tipos de craft além daquele que é a nossa principal ocupação. Então as compras mais variadas em armarinhos e lojas de suprimentos são sempre necessárias.

-Você faz alguma coleção? Quando começou?

Já fiz muitas coleções. No momento, as latas são meu objeto de desejo. Ainda estou começando, mas já tenho algumas bem bonitas.

-Quando ganhou/comprou sua primeira máquina de costura?

Faz muito tempo! Em 1969, ganhei uma Singer da minha mãe.

-Indique um lugar que você considera um paraíso para crafters.

Sem dúvida a 25 de março, em São Paulo. Em Porto Alegre, a Koralle tem todos os papéis e afins que preciso.

-Você prefere fazer crafts para a casa ou para as pessoas?

Faço para outras pessoas. Não só os livros, mas bolsas, capas para livros, marcadores de livro…

-Um livro sobre craft que você não vive sem:

Não utilizo nenhum livro em especial, mas sou viciada na revista Marie Claire Idées.

-Um projeto que deu super certo é aquele que:

Agrada em cheio quem solicitou o trabalho!

Para saber e ver mais:

– O Flickr da Ceres

– O blog da Ceres

– O Flickr da Ana Sinhana

– A entrevista que a Ana Sinhana deu aqui para o BananaCraft

Buy handmade: flores

É primavera no hemisfério norte e as flores são sempre bem-vindas, mesmo que estejamos no outono. Por isso, fiz uma seleção de produtos handmade que têm as flores como tema, inspiração ou motivo. Para você comprar, se inspirar ou apenas encher os olhos:

Colar com chave antiga e flores de metal
Vestidinho de bebê com touquinha
Flores e folhas de crochê, para aplicar onde quiser
Grampo para o cabelo com flor de plástico
Bolsa reversível
Cartão com flor de tecido
Flor de miçanga
Espelho para interruptor de luz
Chapéu de palha
Clips

Para ver mais:
Etsy

Porta-panelas de sabugo de milho

Para continuar no clima simples de tudo que escrevi esta semana, um tutorial sobre como fazer porta-panelas com sabugos de milho. A palha do próprio milho serve para amarrar e dá um ar ainda mais de casa de interior. Para usar, decorar e se divertir fazendo.


Para começar, você vai precisar de sabugos de milho, de preferência ainda com a palha.

Você separa a palha e corta tiras não muito estreitas. Elas vão servir para amarrar os círculos de sabugo. Os círculos você vai conseguir cortando as espigas. Dispense as pontas, porque o diâmetro vai ser muito diferente do resto. Procure cortar sempre com a mesma espessura, para que o porta-panelas fique estável.

Com tudo cortado, é só ir amarrando, formando linhas de cinco ou mais círculos. Quanto mais círculos, maior o seu porta-panelas.

Em seguida, é só unir as linhas umas nas outras. Para fazer um quadrado, eu usei cinco linhas com cinco círculos cada uma. Você também pode variar no formato, basta fazer um diagrama primeiro.

Com tudo amarrado, o porta-panelas está pronto. É bom dar uma verificada nos nós e cortar as sobras de palha, para não correr o risco de algum pedaço se soltar. Com tudo arrematado, é só escolher o cardápio e colocar a mesa.

Uma blusa, uma bolsa, uma história

Às vezes, pequenas coisas podem se transformar em algo único, cheio de significado. Vou dar dois exemplos, de objetos que eu criei e customizei de maneira fácil e rápida: uma blusa e uma bolsa. Os personagens secundários desta história são uma toalha de mesa e uma grega, as duas antigas, já meio esquecidas.


A toalha de mesa era da minha avó e estava perdida entre as coisas dela que acabaram com a minha mãe. Quando vi, pensei: “Este tecido é ótimo para fazer uma bolsa”. Bom, a bolsa está aí, feita de toalha de mesa, sim, senhora! Nada de complicado, nada que precise de grandes habilidades com a máquina de costura. Simplesmente dobrei o tecido ao meio (a toalha era pequena) e costurei as laterais. Escolhi um tecido estampado para o forro, enfeitei com fita xadrez de amarelo e branco, costurei umas alças largas (também enfeitadas com a fita) e coloquei um ímã para fechar. Se eu não tivesse máquina de costura, poderia ter feito do mesmo jeito – só ia levar mais tempo.

A blusa eu já tinha, mas raramente usava, sabe-se lá por quê. Mas quando estava olhando as minhas fitas, à procura de uma para colocar na bolsa, encontrei esta grega de flores, que minha mãe comprou quando eu era criança (sim, ela tem mais de 20 anos!) e não usou toda. Já faz algum tempo que ela veio para mim, mas eu ainda não tinha encontrado um uso. Mas aí lembrei da blusa branca, meio sem graça, e decidi juntar as duas. Gostei de como ficou: simples e com um ar de campo – cara de primavera, embora aqui seja outono agora.

Toda esta história é só para lembrar que uma idéia, meia dúzia de coisas que a gente tem em casa e um pouco de tempo podem fazer grandes transformações. Desde uma melhorada na blusa até uma mudança radical, de toalha à bolsa. O interessante é o que a gente pode fazer, quando tem disposição.

E aí? Se animou?

A casa dos meus sonhos

Ela é de sonho, pode acreditar, mas é totalmente real. E aberta à visitação, o que é melhor ainda. A casa dos sonhos pra mim é o Castelinho, na Estrada do Caracol, em Canela, na Serra Gaúcha. E a cozinha, como você pode ver aí em cima, é maravilhosa. Sem falar no cheiro que ela exala. Maçã com canela. De dar água na boca.


Vamos começar pela cozinha, que é o coração da casa. É de lá que sai o chá de maçã (uma delícia) e o melhor apfelstrudel que alguém pode comer nesta vida. Só de pensar, dá vontade de voltar lá (mesmo!!!) Os objetos da cozinha são quase todos bem antigos e o fogão a lenha é original da casa. Um luxo!

Aí está a famosa iguaria alemã, servida com sorvete de creme. E a gente ainda pode escolher se quer saborear no salão de chá ou na varanda. Não dá para dizer qual dos dois lugares é mais mágico, mais encantado. Nesta minha visita mais recente, escolhi a varanda, porque estava um dia lindo lá fora.

Lá fora é assim. Ou assim:

Ou assim:

Tudo cheio de cuidados, com detalhes lindos de inspiração alemã. As placas de sinalização são perfeitas. Combinam com as lixeiras, que por sinal combinam com os fundos…

Por dentro, as salas e quartos são mobiliados com capricho, com peças de família. A propriedade pertence até hoje à Família Franzen. Foi Pedro Carlos Franzen quem construi o castelinho, no início do século XX. Ele utilizou madeira de araucária da região e utilizou um sistema de encaixes e parafusos, sem usar pregos.

é tão tão arrumadinho e bonito que dá vontade de morar lá. Os cômodos têm todos os detalhes, inclusive fotos antigas, como se alguém realmente ainda vivesse na casa.

O segundo andar abriga os quartos, também ricamente mobiliados. Este carrinho de bebê parece saído de um livro antigo. Tudo na casa parece que apareceu ali naquele instante, vindo do passado num pirlim-pim-pim.

São coleções incríveis de objetos cotidianos, como a geladeira, os batedores de manteiga, os ferros de passar, o pilão, os potes de cerâmica…

O quarto de costura é bárbaro. Tem roupas de época, máquinas antigas, cestinhos, brinquedos para entreter as crianças enquanto a mãe e as moças trabalhavam… Você não sabe o que olha primeiro.

Num cantinho, ficam os brinquedos antigos. São miniaturas muito divertidas. O mini fogão a lenha, o engradado de Coca-Cola, as bonecas – tudo dá vontade de brincar. Pena que não pode! 😉

É impossível descrever todos os detalhes que a gente vai descobrindo pelo caminho. Eu já fui lá muitas vezes e a cada visita descubro mais presiosidades.

Como o quarto abaixo, que é o quarto mais calmo e tranqüilo em que eu já estive. Não consigo explicar qual a sensação, só dizer que é de calma, de sossego.

Mas quando os cucos soam, é um barulho divertido, que enche a casa. Eles ficam na parede da sala de chás e estão todos à venda. São importados da Alemanha, como várias coisas na casa – inclusive algumas que estão à disposição na lojinha em anexo.

Do lado de fora, no Armazém dos Serradores, vários produtos típicos estão à venda. Desde objetos antigos, muitos vindos da Alemanha, até bolsas de palha produzida por artesãos da região.

E os objetos curiosos são muitos. A vassoura feita de mato, usando uma lata de conserva como base é um achado!

Sem falar nos detalhes fofos, como a cadeirinha parede, com o gato de madeira.

Não podia deixar de mostrar o banheiro, que tem esta banheira linda. E também os biscoitos, que são uma graça:

É claro que eu tenho muiiitas fotos legais de lá. Se você quiser ver mais algumas, clique aqui.

Desire to Inspire

Esta dica é para quem adora decoração – mesmo que seja só para olhar. As idéias do blog Desire to Inspire são ótimas, sempre com fotos maravilhosas e dicas interessantes. A seleção é apurada e é impossível não gostar de pelo menos meia dúzia de cômodos que eles apresentam. Eu selecionei algumas fotos que me chamaram (mais) a atenção, mas sugiro que você dê uma olhadinha por lá. Garanto que vai encontrar algo que gostaria de fazer na sua casa ou uma casa que você gostaria de ter.


Para ver (e ler) mais:
Desire to inspire

Customização masculina

Customização, sabe-se lá por culpa de qual machismo bobo, acabou virando sinônimo de coisa de mulher. Poucas são as vezes que a gente vê por aí peças customizadas interessantes para homens. Pensando nisso e em como eles também gostam de ter roupas exclusivas, decidi dar uma melhorada no visual de uma jaqueta do meu marido.


Com etiquetas bordadas, destas compradas prontas em armarinhos, consegui deixar a jaqueta única. Todo o trabalho foi aplicar as etiquetas no bolso, na lapela do bolso e na manga.

Para não fugir do tema Exército do tecido camuflado e do modelo, costurei uma bandeira do Brasil, uma bem pequena do Rio Grande do Sul e uma insígnia. Nada muito escandaloso, nenhuma mudança radical – só mesmo uma personalizada.

Não é muito fácil encontrar temas mais masculinos nas lojas de aviamentos. A maioria dos itens são com temas de bebês, infantis ou de cozinha, mas procurando bem e usando a criatividade, dá para fazer milagres.

Aqui em casa o resultado foi aprovado. Pela minha experiência, vale a pena investir no universo masculino na hora de renovar o guarda-roupa. Inclusive para os homens mesmo.