A arte de desmanchar

crochê

Há muitos anos atrás, eu devia ter uns 12, no máximo, decidi que ia aprender a bordar ponto cruz “de verdade”. Antes disso, já havia feito coisas bem pequenas e via minha mãe bordar desde sempre. O que significa que eu tinha bastante experiência com o assunto, mas muito pouca prática. Ambiciosa, escolhi um gráfico enorme, dividido em duas partes, de casinhas de boneca para compor dois quadros.

Bordei um pedaço, confiante de que era uma bordadeira de mão cheia, afinal conhecia o negócio. E fui mostrar para a minha mãe, esperando um elogio, imagino agora. Bela decepção. Ela me mandou desmanchar, porque eu não tinha feito todas as cruzes para o mesmo lado. (Para quem não borda, o princípio básico do ponto cruz é justamente fazer a primeira parte da cruz sempre para o mesmo lado em todos os pontos e a segunda parte do ponto sempre para o outro lado em todos os pontos).

Por falta de experiência, eu ignorei algo fundamental. Mas, na impaciência dos meus 12 anos, tentei argumentar com a minha mãe, dizendo que eu nunca ia conseguir fazer tudo sempre para o mesmo lado. Ela foi taxativa: se quisesse bordar, tinha que me esforçar e fazer do jeito certo. Ou então era melhor não fazer.

crochê

E foi assim o meu primeiro experimento prático sobre a arte de desmanchar quando se trata de manualidades. Não tem jeito. Quando a gente erra, tem que refazer. Ou vai ficar com um trabalho mal feito e a consciência pesada dos preguiçosos. Porque, mesmo que ninguém perceba o erro, a gente sabe que ele está lá e isso é o bastante.

Agora, ainda aprendiz nas artes do crochê, me peguei pensando em tudo isso porque, claro, eu erro. E desmancho. E refaço. E se errar de novo, começo tudo outra vez. Com calma e sem me chatear. Porque, em todos esses anos, se tem uma coisa que eu aprendi foi a ter muito mais paciência e consciência das demoras do mundo. Como é bem provável que você tenha escutado milhões de vezes, Roma não foi erguida em um único dia.

 

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9 comentários sobre “A arte de desmanchar

  1. Ótimo texto Dani.
    Sempre tinha pavor de desmanchar ponto-cruz, e pedia pra minha mãe desmanchar pra mim! Mas aprendi que desmanchar é melhor do que olhar pro trabalho e saber exatamente o erro, mesmo que os leigos desconheçam.
    Hoje desmanchar trabalho significa que ele vai ficar de lado mais um pouquinho, pq eu desanimo, mas acho que é pq não chegou a hora do trabalho ficar pronto!

    Abraços,
    Juliana

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  2. Quando vc diz “mesmo que ninguém perceba o erro, a gente sabe que ele está lá e isso é o bastante” é a mais pura verdade! E ademais, se eu faço crochê pra relaxar é o ato de fazer que me deixa feliz. Não importa se estou fazendo pela primeira vez ou refazendo após desmanchar. Se for muito custoso desmanchar é melhor tentar outra coisa…

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  3. Eu sou igualzinha!!!!!!! Quando comecei a fazer crochê, peguei a receita mais difícil de uma toalha. Me estressei bastante, fiquei com muita raiva do crochê. Não conseguindo fazer e após a raiva ter sido esquecida, aprendi a lição? Nãooo. Resolvi fazer um sapatinho. Não um sapatinho qualquer, mas um com várias partes para costurar depois. Consegui fazer, mas ficou horrível. Depois de um tempo para desestressar e passar a raiva(hehehehhheh), resolvi ser humilde e começar com alguma coisa mais fácil. Hoje eu e o crochê nos entendemos bem.

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    • Oi Alice, sou como você! Sempre que tento aprender algo novo já quero começar no nível master-avançado =)
      Mas mesmo que os primeiros fiquem feios, depois a gente lembra o sufoco que foi aprender!

      Abraço.

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  4. Sim, desmanchar é uma arte. E um belo ponto cruz, com todos os pontos para o mesmo lado, com o “direito perfeito” é muito bonito. Acho que o ERRO é encarado de maneira muito pouco produtiva, cada erro contém a chance de aprender, afinal erra quem não sabe. Encarar o erro como castigo e o desmanchar como punição é tão ruim como não tomar conhecimento do erro ou tentar “contornar” ´dá mais trabalho e nunca fica bom.

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  5. Muito lindo seu texto, e isso é mais pura verdade! Inclusive quando começamos a aprender… Meu primeiro trabalho, também por volta dos 12 anos, nem foi tão grande, mas tinha muuuitas cores… no final ficou aquela maravilha, aquele monte de nós atrás do “ursinho na janela”… UM HORROR!!! Mas como minha mãe sempre me incentivou, é errando, desmanchando que aprendemos… e foi assim mesmo que aconteceu! Hoje não sei se o trabalho é certo, mas fica MILHÕES DE VEZES MELHOR E SEM NENHUM NÓ!

    Confesso, aprendi a não fazer nós, aos 14 anos aproximadamente, depois de aprender a fazer um tapete em macramê… Tudo a ver né?! Mas foi bom… hoje eu não lembro mais como faz o tapete, mas é a vida!

    Beijos pessoal!

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