Entrevista: Ana Paula Pacheco – Atelier Caseiro

ana paula pacheco

Você já deve conhecer um pouco do Atelier Caseiro – nem que seja pelas fotos lindas que eu sempre mostro nas Melhores da Semana aqui no BananaCraft. Mas hoje vai poder conhecer muito mais e também a Ana Paula Pacheco, que com bom gosto e muito capricho, é o coração e o cérebro desse atelier.

play house

 

atelier caseiro

-Quando você começou a fazer manualidades?

Quando criança, tinha uma casinha de madeira construída pelo meu avô e meu pai para brincar, tinha 4 anos e adorava ficar lá brincando de bonecas. Literalmente, eu inventava moda, e minha mãe, depois do trabalho, me ajudava costurando a mão as roupinhas. O processo da invenção até o produto final me divertia e o interesse pelo artesanal, acredito, veio daí. Mas a lembrança mais próxima do trabalho que faço hoje é de quando comecei a bordar ponto cruz, com 10-11 anos de idade.

vintage singer sewing machine

-E quando decidiu começar a vender produtos feitos a mão?

Entre 2004/2005, fiz sabonetes artesanais e vendia aos amigos e colegas da especialização, fazia como hobby mais pela diversão de fazê-los do que pela venda em si. O Atelier Caseiro começou no fim de 2007, quando eu fiz uma conta no Flickr. O intuito era expor meus artesanatos, preservando meu nome e meu trabalho como Psicóloga. Nesta época, fazia muitas trocas virtuais, enviava e recebia caixinhas com artesanato de todo Brasil e até do exterior. Em 2008, a empresa para qual eu trabalhava entrou numa crise financeira e de reestruturação, não podíamos atender os pacientes, mas precisávamos bater o ponto e cumprir horários. A ocupação com leitura e manualidades era perfeita, levava livros e bordados comigo e ao fim do dia retornava com eles para casa. Foi aí que o Atelier Caseiro surgiu propriamente dito, com a primeira logo da casinha e as etiquetas personalizadas. Também foi o ano em que aprendi a costurar e que a minha minha cunhada engravidou, costurei muitas toalhinhas para o enxoval da Fofoléti. Cada peça de bebê pronta, trazia junto encomendas dos colegas ou de amigos próximos. Em 2009, encerrei o vínculo trabalhista com esta empresa e passei a conciliar o artesanato e o atendimento clínico no consultório particular. No ano seguinte, a Psicologia ficou para trás e 2011 começou com dedicação integral ao Atelier Caseiro, que deixou de ser apenas um ‘codinome’ e virou oficialmente marca registrada, ou seja, nome e sobrenome de tudo que é produzido na casinha.

fabric pencil case

-O que serve de inspiração para você?

Tudo, principalmente as cores, gosto de observar as cores do que me cerca, brinco com elas, gosto de combinações clássicas, mas arrisco algumas mais vibrantes e até inusitadas.

peg case

-Quais são as suas maiores referências quando o assunto é trabalho manual bem feito?

Um trabalho bem feito é, antes de tudo, planejado e cuidado. Artesanato bonito não é para ser bonito só em uma fotografia, precisa ser feito com material de qualidade, ter um bom corte, uma costura com os pontos no lugar certo, um acabamento bonito. O acabamento é primordial, ele mostra a dedicação do artesão para fazer o produto do inicio ao fim e é a minha maior referência de produto bem feito.

-O que serve de inspiração para você?

Em se tratando de inspiração, a internet com blogs nacionais e estrangeiros são minha maior fonte de pesquisa, gosto de ver como cada pessoa imprime características e gostos pessoais no próprio trabalho.

fabric bear

-Como é a sua rotina de crafter?

Pela manhã, faço as atividades externas, também verifico as mensagens nas mídias sociais e e-mail, faço orçamentos e respondo aos clientes o mais breve possível. Organizo o que seguirá para os Correios ou outras urgências e passo para o corte e costura. Tento concentrar ao máximo pedidos semelhantes e gosto de produzi-los em série. Isso otimiza muito o tempo da costura. Também sou rígida no cronograma e sempre dou sequência de produção de acordo com a chegada dos pedidos.

-Você literalmente tem um atelier em casa ou Atelier Caseiro é só uma brincadeira com as palavras?

A brincadeira com as palavras é verdadeira na essência, o Atelier Caseiro funciona mesmo em casa.

cross stitch

-Você prefere vender onde: em bazares, pela internet ou sob encomenda diretamente?

Toda transação de venda, é muito bem vinda, mas sem dúvida os bazares me fascinam. Mais de 80% das vendas do Atelier Caseiro são on-line, então dia de bazar é dia de festa, de socializar, de conversar com clientes, de expor e ver as reações das pessoas diante do produto. É enriquecedor esse feedback, esse olho no olho. Ainda tem o aprendizado que se tira de cada edição, erros e acertos, quando um bazar acaba, já começo a pensar no seguinte.

fabric heart

-Se não fosse crafter, o que você gostaria de ser?

Provavelmente voltaria a ser Psicóloga, ou quem sabe, outra vez, seria eu mesma Ana Paula, acreditando na minha capacidade, abraçando as oportunidades, aceitando os desafios e acreditando sempre que posso fazer mais e melhor.

-Você acha que o lugar onde você mora influencia o seu trabalho de alguma forma?

O Atelier Caseiro fica em Taquara, uma cidade pequena, distante 80 km da capital. Morei por quase 10 anos em Porto Alegre, mas a cidade em si não me influencia, ao menos eu não percebo isso marcado no meu trabalho. Contudo, tenho impregnadas no dia a dia a determinação e persistência típicas do gaúcho que briga e insiste até atingir um objetivo, mesmo que às custas de muita ‘cabeçada’ ou tecido cortado errado.

embroidery

-Qual o cliente ideal?

Sinceramente, ideal é o que paga a conta, mas o cliente que me realiza profissionalmente é o que me deixa criar, que encomenda uma peça e dá carta branca para a execução.

passport case

-Como é a sua lista de planos para 2014?

O plano imediato é ativar a loja virtual, que dará dinamismo às vendas on line, que hoje são todas via e-mail. Em 2014, quero dar mais aulas, seguindo o padrão que adotei no ano passado, com projeto pré-determinado e número limitado de alunos por aula. Também quero fazer mais bazares e em cidades diferentes.

clutch

-Tudo são flores no mundo craft?

Não! Fico com as cores das flores, mas têm espinhos no caminho. Sou auto-didata no gerenciamento do ateliê. Busquei informações no SEBRAE conforme o hobby foi virando negócio, mas sinto falta deste conhecimento de gestão de negócios e pesquiso muito sobre o assunto. Aprendo no dia a dia, mas já cruzei com gente de má fé que não devolveu mercadoria deixada em consignação, com gente mau intencionada que usou fotos sem citar a autoria, com outras que queriam promover trabalhos às custas do nome Atelier Caseiro, já comprei estampas de tecidos que até hoje me pergunto porque as comprei. No fim, tudo vira uma grande experiência e a certeza de que as cores prevalecem sobre os espinhos, que uma lição é aprendida em cada obstáculo e que tem muita gente bacana, com trabalho bonito e interessada em somar forças em prol de um artesanato ético, profissional e de qualidade e isso não tem preço que pague, tem que regar para colher.

 

Para saber mais:

Atelier Caseiro – o blog

Atelier Caseiro no Flickr

17 comentários sobre “Entrevista: Ana Paula Pacheco – Atelier Caseiro

  1. Dani, outra vez agradeço a oportunidade, e serei repetitiva, é sempre um prazer estar no ‘descolado’ Banana Craft, blog que figura entre as minhas referências sobre trabalhos manuais, que incentiva os artesãos a experimentar e descobrir capacidades manuais. Muito obrigada pelo carinho e pela seriedade em expor o craft nacional e internacional. Um beijo, Ana

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  2. Super merecido esta reportagem que pra mim é quase uma homenagem a minha amiga Aninha, ela é isso tudo que foi retratado e muito mais, super caprichosa, atenciosa com os detalhes e com o atendimento ao cliente, uma amiga sempre disposta a ajudar e sempre alegre.
    Ana muito sucesso pra vc!! hoje e sempre!!
    Beijos pra vc e pra Dani.

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  3. Adorei a entrevista! A Ana Paula é super profissional, eu sempre faço encomendas das lindas peças do Atelier Caseiro para mim e para presentear. Aliás, me orgulho em ser uma das clientes mais antigas dessa “casinha”… Parabéns!

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  4. Eu sou muito fã do Ateliê Caseiro, os estojos rolinho são para mim a maior prova de que capricho e acabamento tornam ideias simples em arte. Quanto à dona da casinha, a Ana, é das pessoas de maior lisura, gentileza e bom senso que tive a sorte de cruzar pelo caminho. Coisa boa ver vocês neste diálogo, suas lindas.

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  5. Meninas! Agradeço cada um dos comentários, cada palavrinha que foi escrita é combustível para seguir, para superar espinhos e para regar novas flores. Vocês não tem a dimensão do quanto esta energia impulsiona a fazer mais e melhor, a cada dia, todos os dias, não só no trabalho, mas na vida também. Muito, muito obrigada, Ana Paula Pacheco.

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  6. Ah, a Aninha me enche de orgulho !

    Tenho a honra de tê-la como amiga desde as troquinhas do flickr, conforme mencionado por ela própria, e acompanhei de perto toda essa transição “psicóloga-artesã”.
    Seu trabalho evolui à olho nu, cada vez mais ela surpreende com uma nova peça, um detalhe novo, um conceito inovador, e sempre pontuado com seu capricho e criatividade habituais.

    Tenho muita admiração pela disciplina com o trabalho do Atelier Caseiro, pois quem trabalha ou já trabalhou em casa sabe o quanto é difícil se organizar, mas ela consegue direitinho e não só cumpre o cronograma como ainda arranja tempo para mimar a Fofoléti e usar o diploma de psicóloga com as amigas 😛 rsrs

    Muito sucessooooo !!!! Mereces e

    beijos

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