Para ler e pensar: os livros e o ato de ler

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Eu não tenho falado muito sobre livros aqui no BananaCraft, mas quem me conhece sabe que eu sempre fui uma leitora voraz, do tipo que lê praticamente de tudo e que está sempre lendo uma coisa ou outra, o tempo todo. E eu sempre recomendo que as pessoas também leiam bastante, não só pelo prazer da coisa, mas também porque ler faz com que a nossa cultura em geral cresça muito (sem que a gente precise sair de casa e sem gastar muito) e também porque ler faz com que você aprenda a cometer cada vez menos erros gramaticais embaraçosos. Fato. Mas existem também questões menos intelectuais ligadas ao ato de ler, que só mesmo quem lê muito pode entender. Eu estava lendo (claro!) sobre isso agora há pouco e não resisti em falar sobre isso aqui. Se você é como eu, vai se divertir um pouquinho…

 

Quantas vezes você troca de posição enquanto está lendo um bom livro? Já parou para pensar nisso? Afinal, nem sempre é fácil encontrar a posição perfeita ou, no mínimo, correta. Às vezes é melhor ler sentado. Ou deitado. Ou algo no meio termo entre sentado e deitado. Certamente, eu não gosto de ler de pé. E também não gosto de ler sentada em uma cadeira comum. Definitivamente, sofá, poltrona ou cama são minhas mobílias favoritas quando o assunto é parar para ler.

O que me leva ao fato de que ler e caminhar não são duas ações que eu goste de combinar ao mesmo tempo. Lembro de, ainda criança, uma vez ter atropelado um poste de luz – que ficava no meio da calçada, vamos combinar – enquanto tentava ler um gibi que tinha acabado de ir comprar na banca de revistas do bairro. Desde lá, repito, não gosto de ler enquanto caminho. Mesmo que o livro esteja absolutamente ótimo e eu não queira parar de ler, paro mesmo assim se tiver que caminhar.

Uma questão prática que sempre me intriga: o que fazer com aquela sobrecapa que os livros de capa dura muitas vezes trazem? Retirar para ler, para não estragá-la, já que geralmente é mais atraente do que a capa dura em si? Ou manter para não correr o risco de danificar os cantos da capa oficial? O que você faz? Eu geralmente retiro a sobrecapa pelo simples motivo de que não é nada prático ler com ela no livro. Fica sempre caindo ou ameaçando cair e acaba me distraindo um pouco. E você, o que faz?

Agora sobre a parte de dentro do livro. Páginas escritas com fonte sem serifa são cansativas. Por mais que uma fonte possa ser bonitinha ou inovadora, eu sempre prefiro um livro na boa e velha Times New Roman. Otimiza o tempo de leitura e dá aquela sensação deliciosa de estar com um livro antigo na mão – mesmo quando estou usando um moderno, contemporâneo e tecnológico e-book reader.

janeausten_emma

E o tempo desperdiçado, hein? Ao contrário de muita gente que diz que vai diminuir o tempo gasto no Facebook para encontrar amigos na vida real, um leitor ávido vai acabar dizendo algo do tipo: “se não tivesse perdido tempo no Twitter, eu poderia ter lido Emma…” Bom, eu não costumo usar o Twitter, mas certamente deveria passar menos tempo no Pinterest e, finalmente, ler Emma. Afinal, adoro Jane Austen e vergonhosamente ainda não li Emma! (Só alguém que lê muito falaria algo assim, eu sei!)

No passado, eu tinha uma biblioteca considerável e me mudar era basicamente conseguir muitas caixas para transportar todos aqueles livros. Mas a pior parte era carregar as caixas! Livros pesam muito e não sou exatamente uma pessoa com músculos… Por sorte, consegui exercitar meu desapego também com os livros e agora, com a internet e o e-book reader, não tem mais tanta razão para manter – e transportar – tantos livros. O que não quer dizer que eu não tenha trazido um ou dois livros convencionais do Brasil (sem contar os favoritos do meu filho) e já não tenha adquirido alguns exemplares por aqui. Está impregnado no meu estilo de vida, não tem como fugir totalmente.

felizanovelho

Terminar um bom livro é sempre uma sensação dúbia. Você esperou por isso durante longas páginas. Mas agora que chegou lá, tem um gostinho de despedida. Porque um personagem interessante é como alguém que você realmente conheceu fisicamente. Você sabe um tanto sobre a vida dele, compartilha crenças (ou discorda avidamente), torce por ele… É como dizer adeus. Ou até logo. Porque eu sou do tipo de leitor voraz que lê e relê várias vezes um mesmo livro. Igual criança pequena. (Acho que meu recorde deve ter sido no início da adolescência, quando li e reli Feliz Ano Velho, do Marcelo Rubens Paiva mais de 10 vezes! E depois, já adulta, encontrei com ele na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, e não tive coragem de puxar conversa para contar isso. Não sou o tipo de leitor que almeja conhecer pessoalmente seus ídolos literários. No máximo, trocar algumas cartas ou e-mails, se é que você me entende…)

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E para terminar, me deu vontade de dizer que eu só li Assassinato no Expresso Oriente uma única vez, por opção. Achei que não tinha como ler outra vez. E isso também é algo que só um leitor voraz diria 😉 Ah, e a primeira foto, lá de cima, é da estante com os livros que eu vendi num garage sale virtual que fiz em 2008. Foi meu primeiro descarte oficial de livros e rendeu não só uma boa grana, mas também muita diversão – e trabalho para embalar, enviar e conferir os pagamentos de uma quantidade tão grande de vendas.

Agora é a sua vez: conta para gente qual a sua relação com os livros, conta…

 

Para saber mais:

Emma

Feliz Ano Velho

Assassinato no Expresso Oriente

Capas via Google Images

14 comentários sobre “Para ler e pensar: os livros e o ato de ler

  1. Oi Dani, vou confessar… já fui uma leitora ávida das coleções Júlia, Sabrina e afins, a ponto de frequentar sebos para trocar exemplares… depois me apeguei aos livros do Sidney Sheldon e alguns de Agatha Christie… até ler de tudo um pouco, variando os temas e autores. Mas com o passar do tempo, tenho lido menos do que gostaria e muitas vezes, começo e acabo por largar a história no meio… o que lamento. Parece que meu tempo diminuiu, minhas horas estão correndo e não consigo dar conta da leitura. Mas continuo gostando de ler e sempre que posso o faço… em qualquer lugar, até no ônibus… mas também prefiro um sofá confortável, já na cama não dá… pois eu acabo dormindo.

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    • Eu também já tive uma fase de ler essas coleções, Teresa. Eu tinha uns 13 anos, estava de férias e descobri que a minha vizinha tinha uma estante lotada delas. Pedia emprestado e lia avidamente. Mas depois descobri as histórias de mistério e não quis mais saber de romances convencionais. Mas, no fundo, o que eu gosto mesmo é de ler uma boa história, com personagens que parecem ser mesmo de verdade.

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  2. Dani, adoro ler e leio até em pé no ônibus. Nesse aspecto o Kindle facilitou muito a minha vida, pois é leve e consigo carregar pra todos os lugares. Além disso não cansa a vista ao contrário da tela do computador. Desde de que comprei o kindle passei a ler mais, pois basta ter uma fila, ou uma espera em algum lugar eu saco o kindle.
    Ele também facilitou a questão do espaço pois fica tudo online. Quando sinto falta do papel pego emprestado com minha mãe ou com minha avó, ambas não entendem como consigo ficar horas olhando pra telinha.
    Vai a dica.
    PS: Gasto horas no pinterest, acho que vale como terapia.

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  3. A primeira lembrança são de dezenas de gibis variados em época de férias, aos 10 anos. Graças ao Cezar, menino maranhense visitante, dono de uma imensa mesada e mão aberta! Adolescente li vorazmente M.Delly, uma literatura tipo Sabrina de hoje.
    Cntinuo curtindo o cheiro e a textura do papel, não leio on line, não curto romances açucarados(esgotei a cota, rs ). Gosto de uma ficção elaborada e tenho preferência por drama. Amo de coração o Cordel.
    Nossa! Quase escrevi um conto!

    Dani, um amoroso abraço. Felicidade nessa nova etapa inglesa, inveja branca de ti. 🙂

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    • Eu também era absolutamente fã de gibis, Silvia. Adorava e lia correndo – o que me obrigava a ler várias vezes o mesmo… Aliás, eu sempre li tudo muito rápido e provavelmente veio daí o hábito de ler e reler várias vezes o mesmo livro. Mas drama não é muito a minha praia, não. Gosto de quase tudo, menos drama, eu diria.
      Obrigada pelo seu carinho. Eu prometo que vou tentar mostrar mais da vida inglesa aqui no blog!

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  4. Oi, Bom eu também sou uma leitora voraz. Achei graça de vc escrever sobre essa dificuldade de ler e caminhar… eu tenho dificuldade em ler dentro de ônibus/carro em movimento, mas leio muito e sempre. Quando descobri a leitura me encantei e não parei mais. Leio textos de vários estilos e até hoje gosto de ler literatura infantil e juvenil (de qualidade, é claro). Acredito que esse segmento, por exemplo, recebeu muitos investimentos e bons livros/autores nos últimos tempos. Eu tenho livros que AMO e sou apegada a eles, mas a maioria eu topo emprestar ou até mesmo doar porque acho que o conhecimento precisa mesmo circular. Também tenho o maior cuidado com eles e não risco, dobro ou faço nada parecido….
    Enfim que tenhamos sempre boas leituras para enriquecer a nossa vida.
    Bjss

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    • Eu também tinha livros de estimação, Adriana. Sei como é o apego. Mas tive que me libertar dele, porque com tantas mudanças, você só consegue pensar no peso que representam e acaba pensando que vale mais a pena guardar os bons sentimentos ligados ao livro na memória e deixar a parte física para trás.
      beijos e boas leituras!

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  5. Comecei a ler antes do pré,ou seja,antes de aprender a escrever e não larguei os livros desde então (guardo um que ganhei da minha professora da 3ª série e outro da minha tia,da mesma época,1970’s).Gosto desde o cheiro,tocar o papel,sentir o peso,acariciar mesmo e sem sofá,a leitura não é a mesma.Quase morri de aflição por ter dilatação de pupilas contínua provocada por medicação e que estava me impedindo de ler.Foi um choque,passou! E tive montanhas de livros,mas como acabei de passar pela minha 6ª ou 7ª mudança,os desapegos foram muitos e os que restaram contêm a velha fórmula:muitos a ler,muitos lidos e relidos e os outros que agradam aos olhos.Arte,literatura,história, cinema,biografias,e sei lá mais quanta coisa e espero um sobre a rota da seda,…onde me levará?!?!

    PS;e parei de encanar com “erros”,escrevo como aprendi e a reforma ortográfica ainda não assimilei

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  6. Dani… eu também sou louquinha por livros… tenho uma mini biblioteca em casa. Atualmente, adquiri o Livro Dona Benta Edição Especial Completa por R$ 29,90 no site das Lojas Americanas e fiz o pedido do novo livro de Martha Medeiros – Feliz por Nada….. só pela resenha já amei esse livro. Um grande abraço da fanzoca Regiane.

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    • Eu tinha o livro da Dona Benta, Regiane. Dei de presente para uma amiga que adora cozinhar! Crônicas não são mais algo que eu leia muito, mas devorava quando era adolescente. Hoje em dia, prefiro livros grandes, pelo simples prazer de ler mais 😉

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  7. Eu herdei o amor pelos livros da minha mãe… até hoje a velhinha vai toda semana à biblioteca do bairro trocar os livros que pegou emprestados (e ficou toda feliz quando no Natal chegou um novo lote à biblioteca, hahaha). Estou tentando deixar esse amor para o Felipe, ele já tem uma coleção razoavel para um bebe de 2 anos.

    Nunca gostei dos Bianca e Sabrina, meu negócio são os de terror. Estou lendo Belas Maldições, do Neil Gainman e morrendo de rir das aventuras do anjo e demônio tentando evitar o apocalipse :o)

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