De longe, olhando para o Brasil

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Meus últimos posts aqui no blog foram falando sobre as minhas impressões sobre a Inglaterra. Esta semana, pensando nisso, me dei conta de que tem um outro lado que eu nunca comentei aqui: a visão que as pessoas de fora têm sobre o Brasil. Se você pensou em samba, mulher, Rio de Janeiro e futebol, quase acertou o alvo. Porque não é bem assim, mas chega perto.

Primeira coisa: samba. Ninguém nunca, nunca falou sobre samba comigo. (Ainda bem, porque eu não entendo nada do assunto! Gosto dos bem tradicionais, mas paro por aí…) Em compensação, algumas pessoas aqui e na Itália parecem gostar de música brega brasileira. Sim, é triste, eu sei.Com Tom Jobim, Chico Buarque, Marisa Monte e tanta coisa tão boa para ouvir, o que chega aqui é puro lixo comercial que as gravadoras conseguem fazer passar 😦

Mulher é um tema que eu não vou conseguir falar sobre porque, eu sendo mulher, não imagino os homens daqui discutindo o assunto comigo. Mas acho que não é algo que se destaque, não, porque nunca ouvi nada a respeito. E, vamos combinar, mulher bonita tem em qualquer canto do mundo.

Rio de Janeiro. Todo mundo conhece o Rio! Todo mundo sonha em conhecer o Rio. Todo mundo acha lindo. Mas pouca gente já foi ou realmente tem intenção de ir.

Futebol foi assunto aqui na época da Copa do Mundo. Os ingleses acham que o Brasil foi um fiasco (quem não acha?) e os indianos, paquistaneses, árabes e etc estavam torcendo horrores para o Brasil. Decepção total. No último final de semana eu peguei um táxi e a primeira coisa que o motorista perguntou foi sobre o futebol no Brasil. Não é fácil explicar para um estrangeiro que em ano de eleição para presidente tudo pode ser corrompido e manipulado no Brasil.

Clichês de lado, o que o resto do mundo pensa sobre o Brasil? Bom, a maioria das pessoas não toma o menor conhecimento do Brasil. Apesar de grande, não é um país que influencie em nada na política mundial no momento. Ninguém está interessado no Brasil. Fato. Quem tem alguma noção de onde fica, pensa em calor, sol e praia. Quando eu explico que sou do Sul do Brasil, onde faz frio no inverno, as pessoas se surpreendem muito. Ninguém imagina que faz frio no Brasil. Ninguém imagina que o Brasil tem tantas diferenças.

Pessoas mais próximas já nos falaram que se surpreenderam porque nós somos (eu, meu marido e meu filho) muito brancos. Eles esperavam que brasileiros fossem muito morenos ou negros. A imigração européia para o Brasil é algo que nem os italianos e nem os alemães têm consciência, quem dirá os ingleses. Os homens por aqui sabem quem é o Neymar – mas às vezes acham que o Cristiano Ronaldo é brasileiro.

Nunca ninguém conseguiu identificar meu sotaque como sendo de alguém que fala português. Já me perguntaram se sou francesa. Já consideraram a possibilidade de eu ser espanhola ou italiana. Já me perguntaram se sou grega. Mas o que mais me perguntam é se sou polonesa. Pelo meu tipo físico eu provavelmente poderia ser qualquer uma dessas opções mesmo. Mas como tem muito (você não imagina quanto!) imigrante polonês aqui, é natural que qualquer estrangeiro que não tenha cara de árabe, oriental, indiano ou africano seja confundido com alguma nacionalidade do leste europeu.

Você pode estar pensando: e aí, existe preconceito contra brasileiro? Não. O Brasil é tão desconhecido que ninguém dá a mínima. Mas eu diria que os ingleses, de uma forma geral, simpatizam com os brasileiros porque somos inesperados, diferentes e desconhecidos. Preconceito aqui existe contra muçulmanos (por medo de terrorismo) e contra quem vem do leste europeu em busca de emprego e dos benefícios sociais do governo inglês.

Em tempo: essas são as minhas impressões pessoais depois de um ano vivendo no Sul da Inglaterra. Não posso falar sobre o resto do Reino Unido e não tem nenhum tipo de preconceito meu – ou assim eu espero. Porque, sendo humana, todas as minhas impressões pessoais acabam sendo formadas a partir da minha história e dos meus pré-conceitos.

 

Foto: Google Images

17 comentários sobre “De longe, olhando para o Brasil

  1. Gostei, Aí no sul da inglaterra…Humm….
    Essa de não dá a mínima, comemorei!!! Aff!Comemorei bastante!
    Cuidado amiga, pois já me contaram que as pessoas de outros países tem uma visão do Brazil como reduto de droga, prostituição e corrupção ativa.
    Venda bastante o sul do nosso país que é lindo, o Norteeee! também…Senão vão achar que aqui só tem índio (pessoal que defendo muito pela sua soberania cultural),
    Bom, aproveite bastante um país de primeiro mundo com sua cultura pra lá de evoluída. Estamos aqui anos luz de chegar no rodapé deles.
    Abraços e felicidades mil pra você e sua família!!
    Giselle

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    • Giselle, talvez essa ideia de drogas, prostituição e corrupção seja de alguém que viajou para o Brasil em algum momento e presenciou algo do gênero. Como todo mundo que eu conheço por aqui nunca foi ao Brasil, nem sobre isso eles têm noção. Mas acho que essa ideia de índio, selva, mundo selvagem passa pela cabeça deles, sim 😉

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  2. Adorei o post, Dani! Vc confirmou o que já ouvi muito falar de quem tem uma experiência de viver fora do Brasil, não apenas visitando. Acho que pelo tamanho do nosso país eles acabam meio que aprendendo na escola, pq, pelas dimensões, chama atenção no atlas, né?! Uma pena não termos muito por que chamar a atenção… 😦

    (P.S.: uma sugestão pros seus posts: o craft e a visão que as pessoas têm dele aqui e aí – pelo que vejo nos blogs e sites é um tanto diferente, não? por ex., essa coisa de que só “gente mais velha” faz, e as tendências: percebo que no exterior (princip. EUA e Inglaterra) as peças são muito mais “a nossa cara – blogueiras” do que o que vemos aqui, incluindo a pouquíssima qualidade da maioria das nossas revistas e a falta de armarinhos e afins – estabelecimento praticamente enterrado…). Aliás, a imensa maioria das boas publicações de livros e revistas nessa área é inglesa, não?!

    bjos!

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    • Infelizmente, a frase do Cazuza define bem. O Brasil não tem importância no cenário mundial. E é muito triste que ainda tenha falta de saneamento básico e a educação seja tão precária 😦 Sabe que, para mim, a desigualdade social brasileira é a coisa mais chocante, quando se vê o país de longe. Aqui, lixeiro, faxineiro, taxista, professor, médico, dentista… todo mundo tem acesso às mesmas coisas. E isso faz toda a diferença.

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  3. Oiii…
    Adorei seu post…
    Comente sobre as eleições…algum parecer ai de fora? o que vc vê por ai, falam algo sobre nossas eleições, existe alguma estimativa se um ou outro ganhe…tenho esta curiosidade, principalmente a de saber a sua opinião…pois quem esta “de fora” consegue ver melhor do que quem esta envolvido na situação.
    Um abraço,

    Val

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    • Oi Val.
      Se acham que deveríamos ser mais “morenos”…ou seja, desconhecem a história do próprio país(colonização inglesa = brancos, em outros continentes…) imagine se teem opinião sobre a nossa politica!
      De repente vivemos em ocas e vai ter eleição para um novo cacique! Rs
      BJs. e um bom domingo de votação, vai que vai ou fica que fica? ;-))
      S.O
      Rio

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  4. Ola Dani
    Estranho que num mundo” globalizado”, eles, que tem mais poder aquisitivo e tecnologias provavelmente mais desenvolvida, continuem a só olhar o próprio umbigo… O curriculum escolar só versa sobre o próprio continente? Não lêem revistas tipo National Geo?
    Brasil capital Buenos Aires? Ou o continente sul americano, como um todo, não está no desenho do mapa múndi?
    Lamentável…
    Que sua estadia seja excelente. Pelo menos eles tem aí ótimos armarinhos…
    Bjs
    S.O.
    Rio

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  5. Não conhecia o sei site, mas uma leitora do meu blog me mandou o seu texto justamente por eu estar viajando pelo mundo há mais de um ano e queria saber se eu concordava. Respondi ao email dela e achei que podia comentar aqui também!

    Eu tenho viajado para grandes cidades e conhecido outros viajantes. Mesmo em taxis e tal, quando eu falo que eu sou brasileira todo mundo faz uma cara feliz e fala: “Ohhh Brazil!”. Falam do Neymar, do futebol e do Rio. Falam MUUUUUUITO das mulheres. Aliás, é a primeira coisa que falam, que toda brasileira é bonita.

    Muita gente das que eu encontrei já foi pro Brasil (principalmente depois da Copa) e quem não foi quer muito ir. Dizem que é o primeiro lugar da lista e que só não foram porque é muito caro. Tem gente que já foi para mais lugares do que eu, tipo Chapada Diamantina, Itacaré e Cataratas do Iguaçu… lugares que eu mesma nunca fui.

    Acho que isso acontece mais em cidades menores ou com poucos turistas. Quando eu fui estudar inglês na Filadelfia, em 2009, ninguém conhecia. O pessoal da minha classe, que era basicamente Chinês, Árabe e Indiano, não sabiam nada, nem que a Copa e a Olimpíada seriam no Brasil.

    Acho que o mesmo acontece se você pegar alguém no Brasil e perguntar para a pessoa qual a capital do Paquistão, ou se ela conhece alguma coisa lá. Se o país não tem influência na nossa história, não tem muito porque aprender sobre ele.

    Achei interessante o seu texto!
    Beijos,
    Fe

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    • Fe, aqui tem muito turista e muito estudante de fora. Na maioria, europeus ou asiáticos, árabes e indianos. Os árabes e os indianos sabem algo sobre o Brasil, torcem pelo Brasil na Copa. Mas os europeus, chineses e japoneses não parecem ter o menor interesse pelo Brasil. Concordo com você. Como o Brasil é um país que não tem influenciado em nada no mundo, não tem motivo para as pessoas estarem interessadas. Já sobre as mulheres, acredita que por aqui nem Gisele Bündchen é reconhecida facilmente como brasileira?

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  6. Olá. Não concordo com alguns comentários. Moro já há mais de 10 anos aqui na Europa (círculo em vários paises). E não acho que o Brasil tenha este retrato feitos por si e por tabela seus leitores. O Brasil sim tem importância no cenário mundial. E se falamos com pessoas mediamente informadas e instruídas não tem essa impressão do Brasil e nem dos brasileiros.
    Desculpa, é um abraço.

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    • Talvez você esteja falando com pessoas que têm algum conhecimento sobre o Brasil. Mas não se iluda: apesar do tamanho, o Brasil não tem importância na economia mundial e, por isso, ninguém dá muita bola.

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  7. Acho muito divertido saber como outros povos nos vêem. Ótimo post, Dani!
    Meu marido e eu também somos muito brancos (somos gaúchos também). Na Itália, nos confundiram com franceses… fiquei pouco tempo lá, mas imagino, pelas reações de todos com quem tivemos contato, que nenhum suspeitou que fôssemos brasileiros…
    O mais legal é conversar com as crianças estrangeiras! É tão fofo e divertido… Um menininho americano ficou surpreso e encantado quando meu marido disse a ele que no Brasil não tem inverno com neve…rsrs… (Na verdade, às vezes, tem neve em algumas regiões do sul do Brasil, mas é um evento tão excepcional em relação ao tamanho do país, né?)
    Beijos,

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