O cenário craft na Inglaterra

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A Claudia Virgilio deixou mais uma ótima sugestão de post: comparar o cenário craft aqui na Inglaterra com o que se vê no Brasil. “Uma sugestão pros seus posts: o craft e a visão que as pessoas têm dele aqui e aí – pelo que vejo nos blogs e sites é um tanto diferente, não? por ex., essa coisa de que só ‘gente mais velha’ faz, e as tendências: percebo que no exterior (principalmente EUA e Inglaterra) as peças são muito mais ‘a nossa cara – blogueiras’ do que o que vemos aqui, incluindo a pouquíssima qualidade da maioria das nossas revistas e a falta de armarinhos e afins – estabelecimento praticamente enterrado…). Aliás, a imensa maioria das boas publicações de livros e revistas nessa área é inglesa, não?!”, comentou a Claudia. Eu adorei o tema e aqui está o post, com a minha opinião.

Craft no Brasil ainda é visto como coisa de vovozinha. Por aqui também tem um monte de gente que ainda tem essa visão ultrapassada. Mas as crafters comentam que isso está mudando e que existe um revival de todas as técnicas manuais, principalmente tricô, patchwork, crochê, costura de roupas e bordado (incluindo ponto cruz). Sinceramente, não vejo muita diferença entre o que se faz aqui e o que se faz no Brasil, em termos de técnicas e de peças. Se engana quem pensa que aqui só tem coisas fofas, descoladas e bacanas. Na verdade, como é mesmo uma questão de gosto, tem de tudo – exatamente como no Brasil.

A grande diferença é que aqui todo mundo compra pela internet. Então o mercado para as crafters é maior e mais valorizado. Além disso, os “correios” daqui funcionam muito bem e os prazos são melhores e mais em conta – o que facilita muito o lado mais prático da coisa. Para quem não é crafter por profissão, o fato de o mercado online ser melhor também faz uma diferença gigante. Porque é muito fácil de comprar qualquer coisa pela internet. E mesmo para importar da China é bem mais simples e seguro do que no Brasil.

Só que os preços dos materiais aqui não são muito convidativos, comparando com o que se costuma pagar no Brasil. Para você ter uma noção, um retrôs de linha de costura aqui custa, em média, uns seis reais. Retrós comum, daquele pequeno. Um botão de madeira, tamanho médio, custa uns dois reais. Já para coisas que no Brasil custam caro, tipo tecido “importado”, acontece o oposto. Tecidos da melhor qualidade, com estampas lindas, aqui custam cerca de vinte quatro reais o metro – aí no Brasil eu via o mesmo tipo de pano ser vendido por o dobro disso, no mínimo.

O que faz mesmo toda a diferença é que você consegue comprar qualquer coisa. Não só pela internet, mas também nas pequenas lojas. Todas as fofurices pensáveis e imagináveis são acessíveis. Em qualquer área de interesse: papelaria, fios, moldes, tecidos, equipamentos, ferramentas… Eu moro numa cidade de cerca de 200 mil habitantes e aqui perto da minha casa tem seis armarinhos (dois são lojas de rua e os outros funcionam em bancas do mercado público). Eles são pequenos, mas têm uma variedade muito boa de produtos. Comparando com o Brasil, você só vai encontrar lojas assim em grandes capitais ou cidades de 200 mil habitantes ou mais.

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Mas o que faz mesmo a diferença aqui é uma rede chamada Hobbycraft. Eles são uma potência e vendem absolutamente de tudo: tecidos, fitas, rendas, material de pintura, lãs, linhas, fios, fios de malha, agulhas, tesouras, moldes, gráficos, material para bijuteria, material para culinária (cupcakes, bolos e etc), decoração de festas, scrapbook, decorações temáticas (Páscoa, Halloween, Natal…), material para crianças fazerem crafts e também brinquedos, potes, gaveteiros, livros, revistas, máquinas de costura… É impossível descrever tudo que tem lá. O loja que fica a uns 15 minutos de caminhada da minha casa é do tamanho de um supermercado. Eu sempre encontrei tudo que precisei lá (e muito mais, que eu nem sabia que precisava, se é que você me entende…). Se não tivesse encontrado, poderia comprar pelo site e retirar na loja, sem ter que pagar nada de frete. (Se tivesse que pagar frete, ia custar cerca de 8 reais, mas aí eu receberia em casa, geralmente de um dia para o outro ou com dois dias, no máximo).

O lado ruim de uma rede grande assim é que acaba sufocando um pouco o mercado. O lado bom é que fica muito fácil de comprar tudo que se precisa. Os preços são os de mercado e sempre tem umas promoções do tipo compre 3 e pague 2 ou 50% do valor – o que estimula o consumo e faz com que fique mais barato. Eles também ministram cursos na loja, além de oferecerem revistinhas próprias, com projetos – que você também pode encontrar no site. Falando desse jeito, até parece propaganda. Não é. Só estou tentando explicar como as coisas funcionam.

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Também é possível comprar material de artesanato em lojas de caridade. Eles vendem tanto produtos de segunda mão quando novos. Os preços são bem mais convidativos, mas a variedade é pequena e você nunca tem certeza do que vai encontrar. Lã, linha de costura e de bordado, agulhas (de costura, de tricô, de crochê), tesouras, alfinetes e coisas básicas assim você também encontra com facilidade nos supermercados maiores. O que significa que a vida das crafters aqui é muito mais fácil quando o assunto é encontrar os materiais.

O que nos leva a outro ponto que a Claudia perguntou: livros e revistas. Aqui existe uma rede de lojas chamada WH Smith – eles vendem revistas, livros, brinquedos e material de papelaria. A seção de revistas de manualidades no WH Smith que fica a uns 15 minutos de caminhada da minha casa é bem grande. Tem revistas de tricô, de crochê, de costura, de crafts em geral (tipo a Molly Makes, que eu adoro), de scrapbook, de cartões artesanais, de ponto cruz, de bolos e cupcakes, de bordado, de feltro, de ponto cruz… Não uma ou duas de cada assunto, mas várias – para todo tipo de gosto e bolso. Muitas revistas aqui vêm com brindes (tipo agulha e novelos, kits com projetos para o leitor fazer, botões, pingentes, ferramentas…), para atrair mais compradores – porque a concorrência na banca é mesmo muito grande. É uma questão de gosto pessoal, mas no geral as revistas daqui têm bem mais qualidade que as do mercado brasileiro. Mesmo as baratinhas trazem sempre algum projeto descolado, junto com técnicas e dicas realmente úteis.

Já no caso dos livros, eu não senti tanta diferença porque eu morava pertinho da Livraria Cultura lá de Porto Alegre – que tem uma boa seção de livros importados de crafts. De novo, o negócio aqui é a internet. Poder comprar pela Amazon com frete grátis e entrega no outro dia, com preços mais acessíveis, é algo muito bom. Também tem a possibilidade de comprar livros bacanas nas lojas de caridade. Eu sou fã dos vintage, que me custam cerca de 8 reais ou menos!

O assunto rende, como você pode ver se está lendo até aqui. Por isso, vou deixar para falar de estilo dos crafts em outro dia. E também tenho que contar que agora faço parte de um craft club! Na verdade, acho que temos, no mínimo, dois posts pela frente 😉

Para saber mais:

Hobbycraft

Haberdashery

WH Smith

Waterstones (livrarias aqui perto de casa, com seções de livros de manualidades e até alguns itens para scrap, costura e afins)

10 comentários sobre “O cenário craft na Inglaterra

  1. Dani, gostei muito do assunto e percebe-se que independente do lugar sempre temos coisinhas a mais para comprar além do que listamos! E que claro é só criar coragem e comprar pela internet que dá tudo certo! Depois da sua dica vou começar a criar coragem! Hum quero logo notícias da craft club que vc faz parte! Beijos e obrigada pelo ” grande ” post!

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  2. Oi, Dani! Que post legal. Vou a Londres em janeiro e, é claro, quero muito comprar uns materiais. Vou com as crianças, então estava pensando em comprar e mandar entregar no hotel. Melhor do que correr o risco de voltar sem nenhum tecidinho bacana, é?

    Beijão,
    Vivi Basile

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  3. Que legal, Dani!
    Adorei o seu relato. Aguardo ansiosa pelos próximos! 🙂
    Fui a uma WH Smith bem pequena em Paris e já foi um paraíso para mim! Sou aficionada por livros e revistas. Se for de crafts então… Saí de lá com uma sacola pesada. Este é o único consumismo que me permito.
    Ultimamente, confesso que tenho evitado entrar em armarinhos (físicos ou virtuais). Eu sempre encontro algo que eu nem sabia que precisava… E, em casa, devo já ter material suficiente para uns 100 anos de vida… Preciso me controlar! 😛
    Ah, a dica de comprar na Amazon e mandar entregar no hotel é ótima. Sempre faço isso com tecidinhos, acessórios para a máquina e afins. Isso libera tempo para fazermos outras coisas na viagem. 😉
    Beijos,

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  4. Dani querida!
    Amei o post! Esclarece pra caramba certas dúvidas que também tinha. E fico pensando o mesmo, mas sobre a França. E claro que quando for te visitar, vamos bater perna nestas lojinhas! Ebaa!

    Um beijo grandão!

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  5. Dani, amei o assunto pena não ter lido antes. Fiz um tour pela Europa e passei aí na Inglaterra. Infelizmente não consegui ir na Hobbycraft e melhor em materiais para scrap, mas espero voltar logo.

    Beijoooosss

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  6. Nossa que máximo essa loja, acho que eu se entrasse nela com meu namorado junto ele ia surtar. Toda vez que entro numa papelaria ou loja de aviamentos ele já diz: “pronto, agora só saio daqui a umas duas horas aff”. Nessa loja eu ia ficar o dia inteiro olhando tim tim por tim tim rsrsrs. Adorei o post, muito bem colocado que assim como no Brasil, tem gosto pra tudo, ou seja, coisas lindas, mas feias também rsrsrsrs

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